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Agora é lei: Sancionada a Lei Corello que institui dia do Baile Charme no Rio de Janeiro

Nesta sexta-feira (03), foi sancionada a Lei 3705/2021, de autoria da deputada estadual Mônica Francisco (PSOL), que institui no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro, o 08 de março como o Dia Estadual do Movimento Cultural Charme, bem como cria um Programa de Desenvolvimento para essa manifestação cultural e artística. Já na terça (07), foi aprovada a Medalha Tiradentes para o DJ Corello.

O dia 08 de março rememora uma festa no Sport Club Mackenzie, localizado até hoje no bairro do Méier, onde Marco Aurélio Ferreira, conhecido como DJ Corello (daí o nome da lei), cunhou a frase “Chegou a hora do charminho, transe seu corpinho bem devagarinho”, que passou a identificar o movimento charme. Em 1995, o programa de rádio de DJ Corello foi o mais ouvido do Brasil.

“Corello é nosso grande signo vivo. Em março de 2022, o objetivo é homenageá-lo e descerrar uma placa no Sport Clube Mackenzie, considerado o marco zero dessa cultura”, disse a parlamentar informando que será realizado um momento de celebração, com caráter de audiência no local, junto aos movimentos. 

De acordo com a deputada, a Lei Corello nasce de uma discussão coletiva, com alguns movimentos do charme. “São companheiros e companheiras, que historicamente defendem a cultura negra no estado do Rio de Janeiro. O charme tem sua importância, como movimento cultural e de expressão artística, mas sobretudo como um processo que garante geração de trabalho e renda. Uma série de postos de trabalho, a uma parcela vulnerável em muitos cantos da cidade e ele vem como uma possibilidade de garantia da subsistência” disse a parlamentar, citando como exemplo o Baile Charme do Viaduto de Madureira e outras expressões pelos subúrbios.

O objetivo do PL é potencializar a cadeia produtiva do setor de cultura do charme e promover ações sustentáveis em rede. Para a deputada, é preciso garantir a memória e preservação desta arte. “ Esse movimento pulsa entre a população preta e periférica. Com o projeto, agentes desse movimento poderão fomentar a integração comunitária e ocupação dos espaços públicos, como lonas, arenas, teatros, praças, campos e ruas”, explica.

Devido à importância do projeto, diversos representantes do movimento cultural charme estiveram na Alerj fazendo conversas e articulações políticas com a deputada Mônica Francisco. O DJ Claysoul é um desses profissionais e afirma que ser DJ não é apenas tocar música, mas educar o público. “Por exemplo, a resposta para a clássica pergunta: Qual a diferença entre o charme e o funk? É exatamente saber de onde cada um veio e a proposta de cada estilo de  música”, afirma o DJ que trabalha com black music desde 1985.

Outros ativistas também estiveram na Casa Legislativa, como Marcelo de Oliveira, conhecido como Don Capuccino, do grupo Mangroouve e dos movimentos de discoteca; DJ Black Jay, do grupo Nóis é Black; Sérgio Leal, o DJ TR, coordenador de cultura urbana da Secretaria Estadual de Cultura e Jhonny Barroso, produtor de eventos da cultura negra; Antônio Consciência, do Baile e Instituto Black Bom; Zezinho Andrade; Ivanir Figueiredo, do grupo Miscelânia Black. Eles reivindicam a execução do Programa de Desenvolvimento, através da criação de um Fórum Permanente, onde dialoguem sociedade civil e poder público.


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