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Covid-19:deputada cobra fim das operações nas favelas

A deputada Mônica Francisco solicitou uma reunião com o governador Wilson Witzel para tratar das recentes ações das forças de segurança do estado, que causaram a morte do adolescente João Pedro, em São Gonçalo, às denúncias de moradores do Borel que policiais da UPP mascarados e sem identificação estavam invadindo casas, às 13 mortes no Alemão e às operações contínuas na Cidade de Deus e em Acari.

“Governador, queremos uma ação da sua parte. Converse com seus secretários de polícias para tirarmos o Rio de Janeiro desse lugar que tem uma polícia que mata. Não é possível seguirmos nesse caminho, onde policiais invadem casas na favela sem mandato. Onde numa crise de saúde, falta água, mas operações polociais chegam todos os dias. só chega à favela mortes. O senhor tem a chance de mudar a relação das polícias com a favela”, apelou a parlamentar durante o encontro virtual na noite de terça-feira.

O governador Witzel afirmou que estuda criar um protocolo para atuação dos policiais nos territórios. “Não existe um protocolo no Brasil inteiro, pensamos que o Rio pode ser um exemplo, mas ainda não foi para frente”, disse. Witzel também afirmou que o governo está pensando em muita coisa, inclusive na abertura de diálogo para propor um armistício.

Para Patrick Lome, do Laboratório de Estudos do Borel, estabelecer um protocolo sem a participação dos moradores das favelas será mais um dos inúmeros erros que se arrastam ao longo dos anos.

“Falta harmonia entre o discurso e a prática. Sabemos que o desemprego, a falta de políticas para a juventude, a falta de água são problemas estruturais, que não começaram agora, mas é uma chance estabelecer um conselho participativo para criar uma política” declarou.

Durante o encontro, Jurema Werneck, da Anistia Internacional, condenou duramente as ações das polícias. “Não há nada que justifique o que aconteceu no Alemão. E

“É o governador quem tem o controle das polícias. A Anistia quer entender que comportamento é esse, onde João Pedro foi morto quando foi anunciado que só havia crianças ali. Não é dever da Polícia matar. Não há nada que justifique a morte de 13 pessoas, a polícia invadir casas sem mandato, inclusive com a possibilidade de levar a contaminação para dentro das casas” indignou-se.

Na conversa virtual, Witzel afirmou que determinou à Cedae a regularização do abastecimento de água em todas as favelas, inclusive com o envio de carro pipa e contratação de pessoal do próprio território para suprir a demanda.

Daqui a 15 dias haverá uma nova reunião para discutir só avanços nas soluções propostas e dar novos encaminhamentos.

Também participaram da reunião Salvino Oliveira, da Defensoria e membro da Frente Cidade de Deus (CDD),
Filipe dos Anjos, da FAFERJ, Igor Soares, do Laboratório de Estudos do Borel e a advogada e especialista em direitos humanos, Ize Benevides.


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