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Em defesa da Atenção Primária à Saúde: a quem serve o “Cuida Mais Brasil”?

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga anunciou a criação do Programa Cuida Mais Brasil que destina R$ 194 milhões para atuação de Médicos Pediatras e Ginecologistas/Obstetras. Ao contrário do que diz o governo e pode parecer positivo para alguns, o investimento na verdade não fortalece o atendimento materno-infantil, mas enfraquece a Atenção Primária à Saúde (APS), noção que busca dentro da Medicina Familiar e Comunitária enxergar o inteiro, a integralidade, cuidando das pessoas de forma integral e não apenas focando na doença. Essa é uma base da medicina de família.

O Núcleo Ampliado à Saúde da Família (NASF) é composto por uma equipe multidisciplinar e, com isso, a Enfermagem, que também pode ser especialista em diversas áreas, ficaria cerceada no cumprimento do seu papel, desmobilizando os atendimentos nas clínicas da família pelo país, assim como assistentes sociais, agentes comunitários de saúde, dentre outros profissionais de saúde.

No último ano de governo, a criação deste programa soa como politicagem, dado que após dois anos de pandemia, sem que as gestantes tivessem separação de leitos nos hospitais especializados em COVID e com o país figurando como recordista em mortes maternas pelo vírus, deixando milhares de órfãos da COVID, trata-se de mais um ataque à universalidade do SUS, com uma política de desmonte.

Nossa mandata atua em defesa das gestantes e órfãos da COVID, disputando políticas públicas e fazendo proposições, como o Projeto de Lei 4.576/21, em que somos co-autoras, e que cria o Programa Pequenos Órfãos da Covid, determinando a adoção de medidas para assegurar um auxílio financeiro a crianças e adolescentes que perderam seus responsáveis. Por isso é fundamental defender a integralidade do Sistema Único de Saúde e inclusive denunciar a conivência do Conselho Federal de Medicina a esse programa.


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