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Lei Corello que institui dia do Baile Charme no Rio de Janeiro é aprovada na Alerj

Foi aprovado nesta quinta feira (11), na Alerj, o Projeto de Lei 3705/2021, de autoria da deputada estadual Mônica Francisco (PSOL), que institui no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro, o 08 de março como o Dia Estadual do Movimento Cultural Charme, bem como cria um Programa de Desenvolvimento para essa manifestação cultural e artística. 

De acordo com a deputada, a Lei Corello, que dá nome ao projeto, nasce de uma discussão coletiva, com alguns movimentos do charme. “São companheiros e companheiras, que historicamente defendem a cultura negra no estado do Rio de Janeiro. O charme tem sua importância, como movimento cultural e de expressão artística, mas sobretudo como um processo que garante geração de trabalho e renda. Uma série de postos de trabalho, a uma parcela vulnerável em muitos cantos da cidade e ele vem como uma possibilidade de garantia da subsistência” disse a parlamentar, citando como exemplo o Baile Charme do Viaduto de Madureira e outras expressões pelos subúrbios.

O objetivo do PL é potencializar a cadeia produtiva do setor de cultura do charme e promover ações sustentáveis em rede. Para a deputada, é preciso garantir a memória e preservação desta arte. “ Esse movimento pulsa entre a população preta e periférica. Com o projeto, agentes desse movimento poderão fomentar a integração comunitária e ocupação dos espaços públicos, como lonas, arenas, teatros, praças, campos e ruas”, explica.

O dia 08 de março rememora uma festa no Sport Club Mackenzie, localizado até hoje no bairro do Méier, onde Marco Aurélio Ferreira, conhecido como DJ Corello (daí o nome da lei), cunhou a frase “Chegou a hora do charminho, transe seu corpinho bem devagarinho”, que passou a identificar o movimento charme. “Corello é nosso grande signo vivo, e o Sport Clube Mackenzie o marco zero”, disse a parlamentar informando que será realizado um momento de celebração, com caráter de audiência no local, junto aos movimentos. 

Em 2020, o charme completou quatro décadas movimentando o Rio de Janeiro, desde o início dos anos 1980, promovido principalmente pela juventude negra, oriunda do subúrbio carioca e difundida através das rádios, dos bailes de salão, e das equipes de som especializadas no baile charme. “É muita história que esse movimento de beleza e resistência tem pra contar!”, finalizou a parlamentar.

O texto vai para o Executivo e o governador Cláudio Castro tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar. 

Devido à importância do projeto, diversos representantes do movimento cultural charme estiveram na Alerj fazendo uma conversa e articulações políticas com a deputada Mônica Francisco: Antônio Consciência, do Baile e Instituto Black Bom; Zezinho Andrade; Ivanir Figueiredo, do grupo Miscelânia Black; DJ Claysoul; Marcelo de Oliveira, conhecido como Don Capuccino, do grupo Mangroouve e dos movimentos de discoteca; DJ Black Jay, do grupo Nóis é Black; Sérgio Leal, o DJ TR, coordenador de cultura urbana da Secretaria Estadual de Cultura e Jhonny Barroso, produtor de eventos da cultura negra. 


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