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Meu nome é Mônica Francisco, deputada estadual e filiada ao PSOL, com orgulho

Hoje (16/6), o jornal O Dia divulgou uma nota informando que eu estaria sendo sondada a sair do PSOL. Meu nome é Mônica Francisco, favelada e cria do Borel, feminista negra, pastora evangélica, socialista, eleita deputada estadual com 40.631 mil votos, filiada e vice-líder do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Fui trabalhadora doméstica por longos anos de minha vida e sei da realidade do povo brasileiro. Por isso, sigo construindo o meu partido com orgulho e fortalecendo as lutas populares e as bases. O PSOL é um partido de esquerda que cresce a cada dia, principalmente com a luta das mulheres, da juventude, do povo preto, favelado e LGBTI. A política deve ir além da institucionalidade e, por isso, afirmamos a nossa mandata quilombo com base popular e agenda radicalmente comprometida com luta da classe trabalhadora.

O Brasil vive um cenário de tragédia com o governo Bolsonaro e sua gestão e nós acreditamos na necessidade de alianças de esquerda que fortaleçam um programa de enfrentamento não só a Bolsonaro, como ao bolsonarismo, aqui no Rio de Janeiro. Acreditamos também que essa aliança deve ser conformada a partir das lutas populares e das ruas. Nesse sentido, tenho empenhado pessoalmente esforços junto à direção do PSOL para a construção de uma mesa de unidade e fortalecimento do nosso partido a partir de uma ética feminista.

Sim, fui sondada por outros partidos, mas o meu lugar e a minha construção política são no PSOL. O movimento feminista por séculos lutou pelo direito ao voto e pela participação das mulheres na política. Nós, mulheres negras, temos um papel fundamental nessa história, desde Antonieta de Barros, primeira mulher negra a exercer um mandato no Brasil, das organizações da Marcha das Mulheres Negras, da luta pela PEC das Domésticas e da mobilização junto ao Tribunal Superior Eleitoral pela distribuição do fundo eleitoral para candidaturas negras. Eu, mulher negra favelada eleita pelo PSOL, tenho compromisso na construção e no fortalecimento das bases partidárias e isso também significa um projeto de radicalização da democracia, da ocupação partidária com nossos corpos dissidentes e com uma política de distribuição, e nunca de concentração.

Sou a primeira mulher negra a ocupar a presidência da Comissão do Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social na Alerj, onde temos nosso trabalho referenciado por instituições, grupos de pesquisa e movimentos populares. Na comissão, nós viemos construindo, nos últimos dois anos, importantes diálogos e pontes com a classe trabalhadora, diante de um cenário devastador de precarização, desemprego estrutural, crise econômica e pandêmica; criamos o Observatório do Trabalho, por onde realizamos estudos visando à elaboração de dados estatísticos de indicadores socioeconômicos; evidenciamos que a pandemia da Covid-19 escancarou e aprofundou gritantes desigualdades de emprego e renda, principalmente entre mulheres negras, que sofreram quase o triplo de desemprego que homens brancos no Rio de Janeiro; temos realizado ações importantes a respeito da Economia Popular, pautadas na Economia Solidária, no Cooperativismo e em Negócios de Impacto Social.

Acreditamos que um verdadeiro desenvolvimento do Estado precisa ser popular e garantidor de ferramentas que visem ao protagonismo da classe trabalhadora, pensado pelo e para o povo favelado, jovem, camelô, e tantos outros que sofrem com as políticas de austeridade que sustentam o lucro acima da vida. E é por acreditar que o PSOL segue sendo um partido necessário para o enfrentamento dessa conjuntura e do fortalecimento das lutas, sigo em suas fileiras!

NÃO FARÃO POLÍTICA SEM NÓS!


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