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Dez mulheres defensoras dos direitos humanos recebem a homenagem

Dez projetos de lei propostos pelo mandato de Mônica Francisco para conceder o prêmio Marielle Franco a mulheres defensoras dos direitos humanos foram aprovados pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) nesta quinta-feira (17/3). As homenagens ocorrem no mês em que se completam cinco anos da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Conheça um pouco as mulheres homenageadas:  

1) Jovanna Cardoso da Silva: conhecida como Jovanna Baby, ela é mulher travesti, baiana da cidade de Mucuri, escritora, pós-graduanda em Gestão Pública. Residiu no Rio de Janeiro entre 1983 e 2003, onde idealizou e fundou o Movimento Nacional de Travestis. Jovanna foi a segunda mulher travesti do Nordeste a receber autorização da justiça para resignação de nome e gênero. Nesse momento ela ocupa o cargo de Conselheira Nacional dos Direitos da Mulher. Foi Secretária Municipal de Direitos Humanos na cidade de Picos, Piauí. Na sua gestão, fez de Picos a primeira cidade do Brasil a incluir no PPA, na LDO e LOA políticas de município para inclusão de mulheres LGBTQIA+ e de pessoas idosas. Ela é considerada hoje a decana do Movimento de Pessoas Trans do Brasil, sendo um ícone importante da Resistência Trans e de inclusão de todas as mulheres e de todas as formas de ser mulher.

2) Jurema Pinto Werneck: carioca, médica, feminista, doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jurema é ativista do movimento de mulheres negras brasileiro e dos direitos humanos. Ela ocupa a Direção Executiva da Anistia Internacional – Brasil desde fevereiro de 2017 e integra o Grupo Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres Brasil. Em seu currículo, tem quatro livros publicados: “Saúde das mulheres negras: nossos passos vêm de longe”, “Under the Sign of Biopolitics: Critical Voices from Civil Society”, “Saúde da população negra” e “O samba segundo as Ialodês: mulheres negras e cultura midiática”. Na CPI da COVID-19, realizada no Senado Federal em 2021, Jurema Werneck denunciou o negacionismo que embasou o enfrentamento à pandemia nas ações do governo federal. 

3) Francidélia Lima Gomes: educadora social estatutária desde 2012, ela atua na Política de Assistência Social participando de fóruns e espaços coletivos de Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social e da população em situação de rua. Trabalha na secretaria executiva do FET/SUAS/RJ e é uma das coordenadoras do Fórum Estadual da População em Situação de Rua do Rio de Janeiro. Nascida no Ceará, de onde veio aos 17 anos para a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, na qual reside desde então, participa de movimentos coletivos em busca de melhorias para esta região da cidade como o CEPAG (Centro de Estudos, Pesquisas e Ações de Guaratiba), do qual é conselheira. É também apoiadora do Sarau Lenita Holtz, movimento cultural realizado pela e para a comunidade. Constrói, ainda, um projeto de biblioteca comunitária dentro da comunidade Piraquê. É produtora do musical “América Latina – um tributo a Ney Matogrosso”. 

4) Luciana Boiteux: carioca, advogada, professora da UFRJ, pesquisadora, feminista, militante dos direitos humanos, militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Há muitos anos trabalha e milita sobre temas como política de drogas, encarceramento, mulheres no cárcere, entre outras pautas de direitos humanos costumeiramente invisibilizadas. Na UFRJ, foi da diretoria da ADUFRJ e organizou lutas pela educação pública. Em 2016, foi candidata a co-prefeita do Rio ao lado de Marcelo Freixo. Em 2018, protagonizou uma campanha radicalmente feminista como deputada federal e, em 2020, como vereadora, sendo a primeira suplente pelo partido. Hoje, atua em importantes ações no STF, como o RE 635.659, que sustenta a inconstitucionalidade da criminalização de usuários de drogas, a ADPF 442, que visa descriminalizar o aborto no Brasil, a ADPF 642, contra Resolução do CFM, que encobre situações de violências obstétricas, a ADPF 648, pela garantia dos direitos dos presos no contexto da pandemia, e a ADPF 737, que visa garantir o direito das mulheres e meninas ao aborto legal. É uma das signatárias do pedido de Impeachment Popular de Bolsonaro.

5) Adriana Facina Gurgel do Amaral: nasceu em Niterói em 1971, é historiadora formada pela UFF, universidade na qual lecionou por 14 anos. Doutora em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ, instituição em que atua como docente desde 2013. É pesquisadora do CNPq e pesquisa a esperança no Brasil recente. Tem experiência nas áreas de Antropologia e História, com ênfase em Antropologia Urbana e História Cultural, atuando principalmente nos seguintes temas: experiência urbana e criação artística, literatura e letramento, teorias da cultura, indústria cultural e mediações, música popular, criminalização da pobreza, criação e fruição cultural em favelas. Publicou, entre outros, os livros “Santos e canalhas: uma análise antropológica da obra de Nelson Rodrigues” (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2004), “Literatura e sociedade” (Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2004), “Vou fazer você gostar de mim. Debates sobre a música brega” (Multifoco, 2011), Acari Cultural (Mauad, 2014) e “Nó em Pingo D’Água: sobrevivência, cultura e linguagem” (Mörula, 2019). Desenvolveu pesquisa de pós-doutoramento sobre música e lazer popular no Rio de Janeiro, com ênfase no funk.

6) Darcília Alves: moradora de Manguinhos, feminista, trabalhadora no CAPS pelo qual lutou para que existisse. Atua no Conselho Gestor Intersetorial (CGI) a partir de um projeto de saúde local que funciona em Manguinhos há mais de 10 anos. Atuante também na ONG Mulheres de Atitude, que presta serviços de esclarecimento dos direitos da população local, sobretudo às mulheres de Manguinhos. 

7) Áurea Carolina de Freitas e Silva: deputada federal pelo PSOL, é educadora popular, especialista em gênero e igualdade pela Universidade Autônoma de Barcelona e mestra em ciência política pela UFMG. Foi eleita vereadora de BH em 2016, em uma campanha coletiva pela movimentação “Muitas”. Também é integrante da #partidA, um movimento a fim de impulsionar mulheres feministas para a ocupação institucional. Junto à vereadora Cida Falabella e à primeira suplente Bella Gonçalves, inaugurou a Gabinetona, uma experiência inédita de mandato compartilhado. Em 2018, foi eleita deputada federal por Minas Gerais pelas Muitas/PSOL.

8) Débora Ambrósia: mulher preta, mãe, feminista, produtora cultural em diferentes frentes de produção, ela nasceu em Cambuquira, Minas Gerais, e mora no Rio de Janeiro há 20 anos. Atua no movimento negro e no combate à gordofobia. Realiza performances e oficinas que propõem reflexões sobre o respeito ao corpo gordo e preto. Integra, desde 2016, o coletivo Panteras Negras RJ. Atua na gestão cultural e produção do Slam das Minas RJ desde 2018, onde idealiza projetos, sonha com novos futuros e abre oportunidades para múltiplas vozes. Débora esteve presente na produção da primeira batalha de Slam, no Rock in Rio 2019, além de ter feito a produção do Slam nacional da Flup 2019, Slam RJ 2018, 2019 e 2020. Realizou também em parceria com a Xotfilmes um curta sobre corpo “Verão para todxs xs corpxs 2019”. Atualmente está executando o projeto Corpas Sonoras, pela Oi Futuro, e também na organização da KombiNação, uma ocupação de espaços públicos através da arte e culinária para todos os públicos.

9) Ana Beatriz Bernardes Nunes: conhecida como Bia Nunes, é militante quilombola do Rio de Janeiro. Bia é graduada em Gestão Pública com pós-graduação em História da África e Serviço Social, professora alfabetizadora e já foi também conselheira tutelar. Ela fundou diversos coletivos de lutas por direitos, como a Primeira Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis do Lixão de Bongaba, a Instituição Livre Para Viver, o Grupo de Teatro Arte & Vida. É presidente da Associação Estadual das Comunidades Remanescente de Quilombolas (ACQUILERJ), vice-Presidente do Conselho Municipal de Direito da Criança e Adolescente (Cmdca), vice-presidente do Conselho Estadual do Direito do Negro – CEDINE e escritora.

10) Renata Martins de Freitas: assistente social com especialização em gênero, sexualidade e direitos humanos pela Fiocruz e em gestão pública municipal pela UFF e mestre em Ciências Sociais pela UFRRJ, ela, atualmente, cursa o doutorado em Serviço Social pela UFRJ. Pesquisa e escreve sobre População em Situação de Rua e direitos humanos e Política de Assistência Social, áreas nas quais milita e atua desde 2012, compondo fóruns e espaços coletivos de Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Nascida e criada em Sepetiba, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, é criadora do projeto “Estação Cultural Sepetiba”, um projeto de leitura na Praça que funcionou de 2011 a 2014. Hoje está na gestão do Conselho Regional de Serviço Social.


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