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Mônica Francisco repudia declarações agressivas contra religião de matriz africana

Vice-presidente da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a deputada estadual Mônica Francisco propôs ao colegiado o envio de ofício à prefeitura de Itaboraí cobrando explicações sobre as declarações do pastor Felippe Valadão que, na noite de quinta-feira (19/5), ofendeu adeptos de religião de matriz africana durante evento oficial do município da Região Metropolitana pago com recursos públicos.

Assinado pelo presidente da comissão, o deputado estadual Carlos Minc, o ofício será enviado, nesta sexta-feira (20/5), ao prefeito Marcelo Delarole, questionando a intolerância religiosa em evento bancado por dinheiro público em um Estado laico. Em show promovido pela prefeitura de Itaboraí para comemorar os 189 anos de sua emancipação político-administrativa, Felippe Valadão disse que o tempo “da bagunça espiritual” acabou e que os “templos” de umbanda da cidade serão fechados. Pastor evangélico da igreja Lagoinha, ele xingou os adeptos da umbanda de “endemoniados”. Apenas com o primeiro dia de eventos, que contou com a apresentação do pastor e de outros cantores de gospel, o município gastou R$145 mil. 

“Essa atitude nos causa muita tristeza e indignação. Como vice-presidenta da comissão, considero este ato realmente violento, que deve ser alvo de condenação veemente por parte de amplos setores. Desejo que a gente não venha mais a tolerar esse tipo de postura por parte de quem quer que seja”, disse Mônica. 

Pastora evangélica progressista, Mônica Francisco repudia as declarações do pastor e ressalta que no Estado laico toda fé deve ser respeitada. Xingar ou demonizar pessoas por conta de sua religião é contrário aos preceitos bíblicos. 

“Quero reafirmar que a narrativa bíblica não orienta a violência contra quem quer que seja, muito pelo contrário. Na própria orientação da figura histórica de Jesus, enquanto profeta e mestre, ele dizia que era necessário amar ao próximo como a si mesmo e que não devemos fazer diferenças entre as pessoas”, explica Mônica. 

Como deputada estadual, Mônica tem pautado sua atuação contra o racismo religioso. Em 2021, a deputada integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Alerj para apurar casos de intolerância religiosa no estado do Rio de Janeiro. No mesmo ano, dois projetos de autoria da deputada de combate ao racismo religioso se  tornaram leis: a Lei 9251/2021, que determina o tombamento do Terreiro de Joãozinho da Goméia, em Duque de Caxias, e a Lei 9259/2021, que torna 27 de março o Dia da Conscientização contra o Racismo Religioso – Dia Joãozinho da Goméia. 


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