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Saúde dos Petroleiros: nova audiência com presença da Petrobras

“A maior violação dos direitos humanos nesse período de pandemia é contra a classe trabalhadora. Teremos um pós-socioeconômico disso, que pode ir de 2023 a 2026. Venho percebendo a dinâmica imposta, que na minha opinião, é uma política que gera perda de muitas vidas”, assim a deputada Mônica Francisco pontou a situação das classes trabalhadoras, no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, durante a audiência pública que debateu a saúde dos petroleiros/petroleiras da Reduc, nesta segunda-feira (10/05).

Durante a audiência, que fora construída em parceria com Sindipetro de Duque de Caxias, a parlamentar que preside a Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Alerj, ouviu sobre as diversas situações que contribuem para o risco de contágio pelo coronavírus em seus locais de trabalho.

A representante dos trabalhadores no Conselho Administrativo da Petrobras, Rosângela Torres, relatou corte de 30% na refinaria Reduc, além de ressaltar os efeitos das novas relações impostas pela pandemia sobre a saúde física e mental dos profissionais.

“Não há mais diálogo e vejo que as decisões são unilaterais. A sobrecarga dos trabalhadores está causando perda de conhecimento técnico e de segurança. Quem está no trabalho remoto também sofre as consequências causadas pelo estresse”, ressaltou.

O sociólogo e pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombutíveis, Rafael Rodrigues, detalhou mudanças na rotina do trabalhador da refinaria.

“Além do aumento de carga horária de oito para até 12 horas de trabalho, para quem trabalha presencialmente, há um salto no número de contaminações pelo coronavírus. De uma hora para outra, pessoas tiveram que criar uma estrutura em casa: mesa, cadeira, computador, internet, gerando gastos. Houve reembolso, mas tardio. O ambiente doméstico não é propício, o feedback do trabalho presencial entre os colegas fica perdido, causando estresse’’, concluiu.

O técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cloviomar Carrarine, falou durante a reunião, sobre a insegurança vivida pelos profissionais devido à falta de estrutura e investimentos.

“Há defasagem de investimentos desde 2014. De lá pra cá, houve uma queda no número de trabalhadores. De 1.800, estamos agora com 1.200 profissionais’’, comentou Carrarine.

O superintendente de Relações Institucionais e Governo da Secretaria de Estado de Trabalho e Renda, Pablo de Mello, informou que, desde 2019, cerca de dois mil trabalhadores da unidade foram contaminados com a covid-19.

“A Reduc não tomou decisões para proteção desses trabalhadores. Inclusive há denúncias de falta de máscaras e álcool em gel”’ declarou Mello. A audiência contou com a participação de representantes de sindicatos e outras entidades do setor petroleiro.

Foto: Reprodução da internet


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